Já faz um ano que estou nesse relacionamento. E posso dizer com toda a certeza: foi uma das experiências mais transformadoras da minha vida aqui nos Estados Unidos.
Conheci ela no hospital, num dia comum. Ela é enfermeira. Começamos a conversar e, de repente, ela me disse que achava meu sotaque bonito e que adorava as cidades do Brasil. Na hora pensei: “essa gringa só quer papo.” Mas, brincadeiras à parte, a conexão foi real e imediata.
Trocamos telefone. E os dias depois disso nunca mais foram os mesmos — notificações que davam aquela sensação boa, conversas que não tinham fim. Ela depois me contou que sentiu o mesmo.
Hoje quero compartilhar essa experiência porque acredito que ela pode agregar na vida de quem está vivendo algo parecido — ou de quem um dia vai viver.
A barreira do idioma no relacionamento
Quando nos conhecemos, eu já morava nos Estados Unidos há dois anos. Meu inglês era básico, caminhando para o intermediário. Faltavam palavras em vários momentos.
Mas o que aprendi é que quando os dois querem fazer acontecer, dão um jeito. Ela fala espanhol, e isso ajudou muito. A gente se adaptou, criou o próprio jeito de se comunicar.
O idioma pode ser um obstáculo, mas nunca é o maior. A vontade de estar junto fala mais alto.
As diferenças de comunicação
Americano é direto. E leva as palavras ao pé da letra — algo muito diferente do nosso jeito.
Sabe aquele “a gente se vê um dia” que a gente fala para o amigo e nunca acontece? Aqui isso não funciona. Se você falou, comprometeu. Os horários são pontuais, as promessas são levadas a sério.
Outro ponto importante: ambos tendemos a avaliar as situações pela nossa própria cultura. O que é normal para mim pode não ser para ela, e vice-versa. Isso gera mal-entendidos, mas também gera aprendizado.
No final do dia, os dois precisam estar dispostos a fazer funcionar. E isso faz toda a diferença.

A visão dela sobre relacionamento
Diferente do que muitos imaginam, a visão dela sobre relacionamento é bastante parecida com a nossa — tradicional, tudo junto e misturado.
Isso me surpreendeu positivamente. Às vezes criamos uma imagem do relacionamento americano como algo muito frio ou casual. Na prática, o que encontrei foi bem diferente.
Família e Cultura
A família dela me recebeu muito bem desde o início — mesmo sabendo das diferenças culturais e tendo paciência com a minha limitação no idioma.
O mesmo aconteceu com a minha família em relação a ela. Isso facilitou muito as coisas. Quando as famílias acolhem, o relacionamento respira melhor.
O que esse relacionamento me ensinou sobre os EUA
Brasileiro que mora nos EUA tende a viver dentro da comunidade brasileira. É natural — você busca conforto no que é familiar. Mas namorar uma americana me fez mergulhar de cabeça na cultura local.
Vivi coisas que só são possíveis estando dentro de um relacionamento americano de verdade. Lugares, costumes, formas de pensar que eu nunca teria acessado de outra forma.
(Aliás, esse tema — brasileiro vivendo só na bolha brasileira nos EUA — rende um artigo à parte.)
O que é melhor e o que é mais difícil
Mulheres americanas, na minha experiência, não são ciumentas como as brasileiras. Você tem mais espaço, mais privacidade, mais liberdade individual. Confesso que, depois que vivi isso, passei a valorizar muito ter o meu próprio espaço.
Mas também existe o lado difícil: o choque de costumes é real. As diferenças culturais exigem que os dois trabalhem muito mais para fazer o relacionamento funcionar. Não é impossível — longe disso. Mas exige consciência, paciência e vontade dos dois lados.
Conclusão
Namorar alguém de outra cultura é, acima de tudo, uma escolha de crescimento. Você aprende sobre o outro, mas aprende muito mais sobre si mesmo.
Se você está vivendo isso ou pensa em viver um dia, minha única dica é: vá com abertura. Deixe os preconceitos de lado, respeite as diferenças e esteja disposto a se adaptar.
Valeu cada desafio.
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Um livro que me ajudou muito a entender as diferenças dentro do relacionamento foi As 5 Linguagens do Amor, do Gary Chapman. Ele explica que cada pessoa expressa e recebe amor de um jeito diferente — e isso vale ainda mais quando as culturas são diferentes. Se você está vivendo algo parecido, vale muito a leitura.
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